Abas/ guias

30 de abr. de 2012

Novo Código Florestal é um passo para trás na história do Brasil

Aprovado pela Câmara dos Deputados no último dia 25 de abril por 274 votos a favor, 184 contra e duas abstenções, o novo Código Florestal Brasileiro está agora nas mãos da presidente Dilma Rousseff, que tem 15 dias úteis para sancionar, ou vetar, o projeto, a contar da data de publicação no Diário Oficial do Congresso. Se aprovada, a decisão marcará grande retrocesso na história sócio-espacial do país, aproximando-se das orientações levadas adiante pela Monarquia Portuguesa, entre os séculos XV e XVIII, pela Monarquia Nacional, no século XIX, e pelo Estado Novo, já no século XX.

O novo texto que dá vitória à bancada ruralista sustenta, entre os principais pontos aprovados no novo Código Florestal:

"(...) nas matas ao longo dos rios, com até 10 metros de largura, o produtor tem que recuperar uma faixa de 15 metros em cada margem; se houve desmatamento na Reserva Legal, as propriedades com até quatro módulos fiscais, ou seja, entre 20 e 440 hectares, dependendo da região do país, não precisam fazer a recomposição; já as propriedades com mais de quatro módulos fiscais são obrigadas a fazer a recuperação, mas os produtores podem compensar a obrigação, por exemplo, com a compra de outras terras no mesmo bioma".

O vídeo a seguir, produzido pelo WWF-Brasil à partir das análises de Regina Araujo, doutora em Geografia pela USP, e Paula Watson, também formada em geografia pela USP, mostra de forma didática quem ganha e quem perde na estruturação e financiamento do agronegócio brasileiro. O vídeo foi lançado na quarta-feira (29/2) durante café-da-manhã da Frente Parlamentar Ambientalista, na Câmara dos Deputados.



Sem que seja feito qualquer juízo de valor em relação à bancada ruralista, bastando a releitura histórica quanto aos seus interesses aparelhados de pura ganância para concentrar terras e explorar mão-de-obra, o objetivo deste post é reforçar o entendimento de que de nada parece servir as mais recentes constatações sobre importância da preservação do que nos resta dos biomas naturais, mesmo após 500 anos de dizimação e desmatamento no Brasil.


A Economia Açucareira - séculos XVI e XVII

A expansão ultramarina no século XVI e a chegada das colônias de povoamento de predominância portuguesa à costa setentrional do território brasileiro logo tornaram possível a expansão da empresa agrícola com bases na indústria açucareira de domínio Português. O açúcar tornava-se nessa época uma das especiarias de luxo mais consumidas na Europa e, talvez a única a justificar o investimento da expansão da fronteira agrícola das ilhas da Madeira e São Tomé ao território recém dominado.

Foi no século seguinte, contudo, que a ampliação do complexo açucareiro deu início à expansão da pecuária rumo ao interior, como detalha Celso Furtado na passagem do capítulo intitulado "Projeção da economia açucareira: a pecuária", de "Formação Econômica do Brasil", trazendo conseqüências diretas e indiretas ao processo de formação desse território, à época.

"Ao expandir a economia açucareira, a necessidade de animais de tiro tendeu a crescer mais que proporcionalmente, pois a devastação das florestas litorâneas obrigava a buscar a lenha a distâncias cada vez maiores (...) E foi a separação das duas atividades – açucareira e criatória – que deu lugar ao surgimento de uma economia dependente na própria região nordestina". (FURTADO, 1965, p. 73).


A Economia Mineira - século XVIII

Com o declínio da indústria açucareira, dada a acirrada concorrência holandesa que se instalou no Caribe, os portugueses voltaram seu interesse à busca do ouro e, para isso, contaram com a ajuda da capitania de São Vicente – já estabelecida com sua principal atividade comercial, proveniente de meio século e meio de exploração, a caça ao índio – e, cuja capital, nesse estágio, já se transferira para o Planalto de Piratininga, que passara a se chamar Vila de São Paulo.

Com o apoio técnico dos portugueses para descoberta do ouro e diamante nas novas terras, massas de homens emigraram rumo à região de Minas Gerais, para onde também era direcionado grande aporte de capital em forma de mão-de-obra escrava. Dependente de um complexo sistema de transporte, a economia mineira irradiou benefícios econômicos também à região rio-grandense, atual Rio Grande do Sul, onde a criação de mulas se desenvolveu em grande escala, como revela Furtado na mesma obra.

"A economia mineira abriu um novo ciclo de desenvolvimento de todas [as regiões]. Por um lado, elevou substancialmente a rentabilidade da atividade pecuária, induzindo a uma utilização mais ampla das terras e do rebanho. Por outro fez interdependentes as diferentes regiões, especializadas umas na criação, outras na engorda e distribuição e outras constituindo os principais mercados consumidores" (FURTADO, 1965, p. 96).


O Complexo Cafeeiro - século XIX

Após cem anos de exploração do solo para extração do ouro, o esgotamento das jazidas e depósitos de aluvião não demoraram a se esgotar, levando a um rápido processo de involução e atrofiamento da economia mineira, que já estava decadente no final do século XVIII.

Em meio a essa grande dificuldade é que o café surge no Rio de Janeiro como nova fonte de riqueza tornando-se, no início do século XIX, o principal produto de exportação do país. Como revelou Wilson Cano em "Raízes da Concentração Industrial em São Paulo", a introdução do café nas terras altas no Vale do Paraíba, contudo, não tardou a esgotar a fertilidade do solo nesse território e tornar necessária sua expansão para o Oeste Paulista.
"Os rotineiros processos agrícolas empregados e as próprias condições do solo e da topografia fariam com que, à restrição ditada pela disponibilidade potencial de terras, fosse adicionada outra, gerada pela sua exaustão e erosão, diminuindo assim a oferta de terras para o café, acelerando novo deslocamento, agora em direção ao 'Oeste Paulista' " (CANO, 2007, p. 33).

Valendo-se principalmente da expansão ferroviária a partir da segunda metade desse século, o território paulista tornou-se a principal fonte de exploração para plantio do café, apoiado pela expansão da infraestrutura ferroviária em si, como pela primazia tecnológica disponível para o beneficiamento do produto para exportação, cinco vezes mais eficiente do que a utilizada no estado visinho.


A Marcha para Oeste - século XX

Principal produto da pauta de exportação do país, o café permitiu que complexo cafeeiro paulista se desenvolvesse a ponto de induzir todo o processo de expansão econômica no Brasil durante o século XX, tornando-se também o principal pólo industrial nesse período.

Interessado em expandir seu domínio às terras à Oeste do Brasil, o Estado Nacional decide compor expedições, na primeira metade do século, com a finalidade de desbravar e colonizar também esse espaço intocado do território nacional. Segundo os registros existentes à época, torna-se evidente o espírito quase épico das autoridades brasileiras de marchar à conquista das novas terras a Oeste do país.

"A civilização brasileira mercê dos fatores geográficos, estendeu-se no sentido da longitude, ocupando o vasto litoral, onde se localizaram os centros principais de atividade, riqueza e vida. Mais do que uma simples imagem, é uma realidade urgente e necessária galgar a montanha, transpor os planaltos e expandir-nos no sentido das latitudes. Retomando a trilha dos pioneiros que plantaram no coração do Continente, em vigorosa e épica arrancada, os marcos das fronteiras territoriais, precisamos de novo suprimir obstáculos, encurtar distâncias, abrir caminhos e estender fronteiras econômicas, consolidando, definitivamente, os alicerces da Nação. O verdadeiro sentido de brasilidade é a Marcha para o Oeste. No século XVIII, de lá jorrou o caudal de ouro que transbordou na Europa e fez da América o Continente das cobiças e tentat1vas aventurosas. E lá teremos de ir buscar: — dos vales férteis e vastos, o produto das culturas variadas e fartas; das entranhas da terra, o metal, com que forjar os instrumentos da nossa defesa e do nosso progresso industrial (WIKIPEDIA, Saudação aos brasileiros pronunciada no Palácio Guanabara e irradiada para todo o país, à meia noite de 31 de Dezembro de 1937).

Exemplo disso foi a Expedição Roncador-Xingu, de 1943, da qual ficaram conhecidos os irmão Villas-Bôas, idealizadores do Parque Nacional do Xingu, criado em 1961, como registrado no recente filme "Xingu", dirigido por Cao Hamburguer. Preocupados com o processo de assimilação das tribos indíginas xinguanas, que poderiam ser escravisadas em garimpos, ou dizimadas, por garimpeiros e "grileiros" que rapidamente se infiltravam no território recém descoberto, os Villas-Bôas conseguiram negociar o isolamento das tribos indígina visando a preservação da integridade cultural das mesmas e do bioma para a sua reprodução.


De acordo com o trecho da obra "Confissões", o antropólogo Darcy Ribeiro revela que "os Villas Bôas dedicaram todas as suas vidas a conduzir os índios xinguanos do isolamento original em que os encontraram até o choque com as fronteiras da civilização. Aprenderam a respeitá-los e perceberam a necessidade imperiosa de lhes assegurar algum isolamento para que sobrevivessem. Tinham uma consciência aguda de que, se os fazendeiros penetrassem naquele imenso território, isolando os grupos indígenas uns dos outros, acabariam com eles em pouco tempo. Não só matando, mas liquidando as suas condições ecológicas de sobrevivência.” (RIBEIRO, Confissões, 1997, p. 194).


Economia Agro-Exportadora - século XXI

Transcorridos 500 anos de evidências históricas em relação aos processos de concentração de territórios e exploração de mão-de-obra por elites ruralistas, é de surpreender que o Brasil de nada pareça ter aprendido quanto a necessidade de preservação dos seus biomas naturais. À custa da exaustão e devastação da biodiversidade terrestre, o país parece mais uma vez ceder à pressão das elites agrárias nacionais, unicamente interessadas em maximizar seus ganhos através da exportação de commodities agrícolas.
 
Angeli, Folha de São Paulo, 29/04/12

Não obstante à tendência mundial de apelo à perservação e respeito à sócio-biodiversidade local, repletamente discutido nos dias de hoje, não há qualquer cabimento que justifique a aprovação do novo Código Florestal pela presidente Dilma Rousseff. Se aprovado, o novo texto não apenas levará o país ao retrocesso, seguindo um passo para trás da sua história, como o lançará a uma armadilha sem volta. Como diria o velho professor de geografia Barone, "Deus sempre perdoa. O homem, as vezes perdoa. Já a natureza, essa nunca perdoa".

Torcendo pelo veto da presidente, deixo um abraço e compartilho a preocupação.

Até a próxima.

4 de abr. de 2012

Laboratório de experiências

Decorridas duas semanas da campanha "sou motorista e respeito o ciclista", que tem o objetivo de confeccionar um lote de 10 mil adesivos educativos a serem distribuídos aos condutores de veículos em São Paulo para estimular o prazer pela gentileza no trânsito, gostaríamos de compartilhar alguns dos resultados que obtivemos até o momento, além de algumas providências que se fizeram necessárias.

Para acessar outras notícias sobre a campanha acesse:




Desempenho

Até o momento foram realizadas 20 arrecadações das 275 necessárias. Obtivemos a quantia R$ 401, que representa 7% do total orçado (R$ 5.500) para confeccionar um lote de 10 mil adesivos que serão distribuídos pelas vias de São Paulo. Tivemos aproximadamente 700 acessos no site de crowdfunding desde lá, o que representou uma taxa de conversão de quase 3% no período, levando-nos a crer que muitas pessoas acessaram seu conteúdo, mas poucas contribuíram de fato.

Como o prazo para o término da fase de arrecadação da campanha era 09 de abril de 2012, decidimos prorrogar seu encerramento por mais uma semana, para dia 16/04, na tentativa de, junto com outras mudanças feitas, aumentar exponencialmente as arrecadações necessárias à concepção dos adesivos.


Providências


Incluímos a arte gráfica pronta na home page de acesso da campanha "sou motorista e respeito o ciclista". Acreditamos que sua visualização tanto contribuirá com o entendimento sobre o objetivo do projeto, como também estimulará as arrecadações, uma vez que o interessado saberá como será o produto final. Esperamos que todos gostem do desenho. Foi feito o possível com os recursos que dispúnhamos até o momento.





Desdobramos a campanha para outras quantias também, R$ 5 (ganha 1 adesivo) , R$ 10 (ganha 2 adesivos) e R$ 20 (ganha 4 adesivos), pois fomos levados a crer que a quantia solicitada inicialmente, de R$ 20, poderia inibir pessoas interessadas a contribuir com quantias mais baixas.

Para aumentar o número de pessoas sensibilizadas a contribuir, além de continuar a disseminar a ideia nas redes sociais da internet, começamos desde ontem a distribuir tiras de papel na rua contendo as informações básicas para acesso à campanha estendendo-a além do ambiente virtual.


O "Tsunami" do sistema de transportes

Continuamos confiantes e otimistas com o potencial de sucesso da campanha "sou motorista e respeito o ciclista". Em um universo tão grande como o de São Paulo, que registra uma frota de veículos superior a 5 milhões e índices recordes de congestionamento, imaginamos que existam 275 pessoas interessadas em promover processos de melhoria de acesso e mobilidade urbana para si, à sua família e à sua comunidade.

Soma-se a isso o esgotamento do sistema de transporte público. Segundo a matéria "Número de passageiros nos trens da CPTM cresce 73% em cinco anos", do G1 (30/03/12), houve registro de 117,1 milhões de passageiros nos trens da capital paulista nos dois primeiros meses de 2012, contra 67,8 milhões transportados no mesmo período de 2007. Segundo informa a matéria, o secretário dos Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, admite que "a rede aérea [de trens] está no limite".

Em acréscimo na matéria, Jurandir afirmou que a inauguração da Linha 4 do Metrô e a consequente integração com os trens trouxe um "tsunami" de passageiros ao sistema. Para o engenheiro Sérgio Ejzenberg, especialista em transportes, os dados refletem a superlotação das linhas. "Há sobrecarga de usuários, uma demanda enorme. O sistema [de trens] não está dando conta", diz. Trata-se, portanto, de uma calamidade no sistema de circulação de pessoas.

No Plano de Contas 2007- 2010 feito pela Secretaria de Transportes Mestropolitanos do Estado de São Paulo, destacou-se algumas das expansões realizadas à época, entre as quais a entrega de 107 trens para o Metrô e CPTM e os 240 Km de linhas novas construídas. Apesar dos esforços, fica evidente que a infraestrutura férrea da cidade tem operando no limite da sua capacidade, não sendo possível, desse modo, pensar na possível adequação da oferta de trens à crescente demanda de passageiros.


Ciclovias

É hora de pensar nos transportes alternativos e a bicicleta tem sido um meio eficiente de circulação de pessoas que realizam viagens curtas num raio de até 10km da residência. São Paulo está bastante atrasado nas execuções de ações nesse sentido, registrando pouco mais de 150Km de vias para bicicletas.


Continuamos a contar com seu apoio para disseminar esta ideia da maneira que lhe for possível.

Os ciclistas agradecem, e os motoristas também!

Abraços,

Carol (motorista) e Rodrigo (ciclista)

24 de mar. de 2012

Pilares do desempenho competitivo

Competitividade é um termo cujo uso tem sido crescente no Brasil e vem acompanhado pelo bom desempenho macroeconômico demonstrado pelo país nos últimos anos. Basta recordar da rápida superação do nosso país em relação aos vizinhos latino-americanos e dos europeus para sair da crise do crédito sub prime que teve início nos Estados Unidos em 2008, perdurando até 2010, sem falar do maior controle das contas públicas nos últimos 18 anos e das demais ferramentas de política econômica vigentes.

O que mais chama a atenção é o desafio para o qual o país foi lançado, o de melhorar a competitividade dos produtos nacionais para enfrentar os seus similares internacionais. Mais do que isso, a própria competitividade interna, ou intra regional, tem sido crescente, e as praças regionais, nesse caso, nada podem fazer para proteger suas mercadorias senão adotar outras possibilidades que independam de estruturas e ferramentas macroeconômicas.

Isso leva a crer que descontando as ferramentas de política econômica tradicionais - monetárias, fiscais e cambial -, o desempenho competitivo fica restrito à ótica da microeconomia neo-clássica, que compreende competitividade através das formas que levam à maximização e obtenção de lucros crescentes ao longo do tempo, e as quais aqui denomino pilares do desempenho competitivo.



Bolo trufado de chocolate da Ofner
Os três pilares competitivos na microeconomia neo-clássica

Sem tomar em consideração nessa formulação plana de base econômica tradicional outras variáveis importantes e advindas de diferentes áreas do conhecimento, como aspectos sensoriais, espaciais, psicológicos e culturais, por exemplo, os pilares da competitividade ficariam condicionados à: (1) estratégia, (2) técnica e (3) gestão.

Em mercados altamente competitivos, a diferenciação de um produto, ou de uma solução, advém da identificação e posterior adoção de opções estratégicas viáveis ao negócio. Em outras palavras, trata-se de verificar as exigências requeridas pelos clientes mais rigorosos, que costumam ditar as tendências de consumo futura e, em seguida, identificar como empresas que já desenvolvem alguma solução dentro da estratégia estão se saindo nos mercados em que atuam. Uma espécie de benchmarking para comprovação da eficiência da entratégia em si.

Identificada a estratégia, o próximo pilar para sustentar a competitividade de uma empresa é o da capacidade técnica. Isso quer dizer que de nada vale adotar uma boa estratégia de negócio se o empreendimento não estiver em condições, ou não dotar da competência técnica para desenvolvê-la. Se vender um bolo de trufas de chocolate especial é uma estratégia, a empresa terá que contar com um bom confeiteiro para produzi-lo, ou então terá que contratar esse serviço de um terceiro, sem que para isso, possa deixar de contar com o fator técnico necessário a implementá-la.

Construídos os pilares técnico e estratégico, a competitividade do empreendimento só estará completa se a empresa incorporar processos de gestão aos seus negócios, sendo necessário para isso incorporar em sua estrutura ferramentas de gestão financeira, de marketing e comunicação, jurídico e de pessoas. Caso a empresa não tenha bem controlado seus custos, seu relacionamento com clientes e sua relação com funcionários e fornecedores, por exemplo, será inútil ter um bom confeiteiro que saiba fazer um bolo gostoso de trufas de chocolate, pois o preço final do bolo será tão alto que dificilmente um cliente poderá comprá-lo.

Observando os acontecimentos e histórias de empresários com que tenho a oportunidade de conversar no dia a dia, penso nas suas empresas e empreendimento retratando a veracidade da formulação teórica baseada nesses pilares. Não basta, contudo, ficar atento apenas ao nível da empresa para dentro, mas é igualmente necessário pensar nela por fora, à partir do fortalecimento do ambiente de negócios e do relacionamento junto a sociedade. O desafio da competitividade é grande não só para o país, mas sobretudo para os empresários em seu conjunto e na sua individualidade.

19 de mar. de 2012

Sou motorista e respeito o ciclista: a campanha está no ar!!!

No último sábado, dia 10 de março, escrevi neste mesmo blog um post intitulado "O fenômeno crowdfunding" com o objetivo de explorar o alcance dessa nova, ou não tão nova assim, modalidade de financiamento colaborativo e que conta com a estrutura tecnológica das redes sociais na web não apenas para expandir-se, mas principalmente para colaborar com interesses dos milhares de empreendedores nos mais diferentes territórios do mundo.

Associei a esta ideia, além disso, uma segunda, que se resumiu a utilizar uma dessas ferramentas de crowdfunding para levantar fundos e implementar um projeto de educação no trânsito, que surgiu com base em uma conversa com minha amiga economista Carolina Tomo após nossa comoção com as tragédias fatais envolvendo ciclistas nas metrópoles brasileiras nos últimos meses.


Surgimento do crowdfunding

A plataforma surgiu nos Estados Unidos em meados dos anos 2000, por meio do lançamento do site ArtistShare, e servia inicialmente às necessidades de financiamento dos mercados fonográfico e cinematográfico, antes mesmo de tornar-se tão conhecida e à serviço de empreendedores sociais e comerciais, a exemplo das startups, e dos próprios grupos de coletivos urbanos que utilizam-na para arrecadar fundos e assim adquirir os recursos necessários para executar os seus projetos.

Somente a partir de 2005, segundo descreve o crowdsite wikipedia, é que a modalidade se popularizou através do termo "micropatronage", lançado pelo web designer Jason Kottke. Ao associar seu uso ao radical patronage – (apoio, patrocínio, doações), que era oferecido por reis e papas, em sociedades monárquicas, a músicos, artistas e escultores para que desenvolvessem suas produções artísticas – Kottke constatou que o fenômeno do financiamento colaborativo, essencialmente composto por diversas fontes de recursos que somente juntas são capazes de formar o todo, é sobremaneira constituído por micro unidades de capital justificando, portanto, o uso do termo.

O conceito só consolidou-se mesmo, contudo, no ano seguinte, já com a expressão que conhecemos nos dias de hoje, crowdfunding, quando o empresário americano Michael Sullivan exprimiu: "Many things are important factors, but funding from the 'crowd' is the base of which all else depends on and is built on. So, crowd funding is an accurate term to help me explain this core element of fundavlog". A partir daí surgiram os mais conhecidos sites americanos do gênero, como Sellaband (2006), SliceThePie (2007), IndieGoGo (2008), Spot.Us (2008), Pledge Music (2009) e Kickstarter (2009).




Brasil completa aniversário de 01 ano da modalidade

No Brasil a modalidade tomou corpo somente no início de 2011, com o lançamento do site brasileiro Catarse, que tinha apenas cinco projetos no ar, à época, como noticiou a Revista Exame em janeiro daquele ano. De acordo com a recente publicação do caderno Link, do Estadão, de janeiro de 2012, após o primeiro aniversário de vida o site já hospedava 278 projetos, 146 dos quais considerados bem sucedidos, como mostra o infográfico ao lado revelado pela própria empresa e publicado no caderno. A partir daí, outras iniciativas como Vakinha, Incentivador, e Movere também surgiram para disseminar o serviço em grande escala no país.


Um, dois, três, AÇÃO!

Surpreendidos com a ferramenta e ao mesmo tempo bastante sensibilizados com a intolerância no trânsito de São Paulo, Carolina e eu decidimos agir. E foi com base na frase genial lançada por ela, "sou motorista e respeito o ciclista", que pensamos, então, confeccionar um lote de milhares de adesivos – 10 mil foi nossa tacada – e distribuir aos condutores de automóveis na cidade de São Paulo durante a próxima Bicicletada (movimento de resistência e conscientização social que incentiva o uso da bicicleta como meio de transporte), dia 27 de abril, em São Paulo.

Tomado o desafio desde a semana passada, logo nos cadastramos em um desses sites – no caso o Vakinha, que nos pareceu de fácil manuseio – e, em seguida, fomos atrás de alguns orçamentos para identificar a quantia necessária a ser solicitada para a execução do projeto. Enquanto os orçamentos não chegavam, aproveitamos o tempo livre entre atividades profissionais e acadêmicas para procurar desenhos e imagens complementares para compor a arte final dos adesivos estilizados.

Com dois orçamentos já em mãos, depois de várias trocas de e-mail com os fornecedores para ajustes e barganhas, conseguimos definir, por fim, o custo total do projeto em R$ 5.500,00. Como também já possuíamos algumas opções de imagens, só faltava mesmo definir a estratégia da campanha promocional, além dos ajustes finais no site e partir para o lançamento. E assim foi. Pensamos em qual quantia cada uma das pessoas estaria disposta a contribuir e R$ 20 nos pareceu bastante razoável, de modo que 275 pessoas precisariam cooperar para o acúmulo do montante total, um número relativamente baixo e igualmente bom para distribuirmos 4 adesivos em primeira mão para cada uma, restando-nos, ainda, 8.900 para distribuir no evento da Bicicletada. Pronto!


Participem!!!

Agora é hora de participarem e por isso os convido a finalmente visitar a campanha "Sou motorista e respeito o ciclista" (acesse aqui), prontinha e já lançada no ar. Não esqueçam: o poder da pessoa física nas políticas de patrocínio e aporte financeiro a projetos podem mobilizar a sociedade. Seja um elemento de mudança também e mostre o seu respeito no trânsito da cidade. A campanha se encerra dia 09 de abril, por isso, não perca tempo, participe e divulgue para a sua rede. Sua ajuda é muito valiosa para nós! Vou mantê-los informados sobre os resultados.

Grande abraço e obrigado a todos.

10 de mar. de 2012

O fenômeno crowdfunding

Hoje eu ia mesmo aproveitar parte da tarde chuvosa para tratar do tema "trabalho autônomo", que tem ganhado muito da minha atenção, mas fui mesmo paralisado pelo tema "crowdfunding", que está simplesmente revolucionando o sistema financeiro mundial ao romper com barreiras institucionais, como a das exigências dos Bancos Centrais Nacionais, e que também não está, de forma alguma, desassociado do primeiro tema, sobretudo ao pensar em idéias inovadoras com estímulo à produção de base tecnológica, como as comumente apresentadas pelas startups.

Adeus às dificuldades burocráticas ao se pensar em levantar capital e recursos para colocar um projeto em prática. O "crowdfunding", ferramenta de colaboração financeira derivada do conceito "crowd", assim como o "crowdsource", para colaboração de ideias entre a rede de usuários mundial de internet para a criação de dada tecnologia sem que essa precise estar submetida aos expert residentes nas grandes empresas (a exemplo da plataforma Linux), facilita o aporte da capital para qualquer projeto, seja ele para fins lucrativos, educativos, políticos, culturais, científicos, etc.

Empresários com dificuldade de aquisição de crédito em bancos comerciais, sejam eles por ser informais, ou até mesmo por não possuírem data quantia de capital social como garantia, e ainda aqueles com ideias geniais, mas que tem dificuldade de sair do papel dada a necessidade de certa quantia mínima de dinheiro, como os "startupeiros", podem agora fazer uso destas ferramentas de financiamento colaborativo para materializar o seu negócio. Muitas delas, como os sites Vakinha, Incentivador, Catarse e Movere, ajudam a pessoa a financiar uma simples ideia a sair logo do papel.


Estratégia de execução

A sistemática para operar estas ferramentas é bastante simples. Basta o candidato se cadastrar em um destes sites – alguns dos quais exigem que ele seja uma pessoa jurídica –, informar quanto custará sua ideia, em quantos dias estima receber a quantia e como pretende recompensar quem o ajuda. Pronto! Basta aguardar pela avaliação positiva da equipe dos sites e, então, encaminhar o link para os amigos na tentativa de causar um "viral" para viabilizar a ideia.

O viral é uma espécie de mobilização natural das pessoas utilizando as redes sociais em prol de uma ação, podendo-se destacar, assim, como uma das principais vantagens do crowdfunding. Em muitos desses sites quem contribui acaba se tornando um associado que tem direito a certas regalias, exclusivas, ou não, como brindes, ter acesso antes ao produto criado e outras premiações, conforme a imaginação do candidato.

Se a quantia não for arrecadada até o tempo estipulado, assim como nos sites de compras coletivas, quando o número mínimo de cotas promocionais de um dado produto não é atingido, a ideia vai por água abaixo e o dinheiro é devolvido a quem já havia feito o depósito. Por isso vale lembrar a importância de montar uma estratégia eficiente e não muito exagerada, porém que seja arrojada, para que a ideia não corra o risco de ser inviabilizada. O ganho destes sites é decorrente de um custo fixo por dósito acrescido de um percentual do montante arrecadado, variando caso a caso.


Uma boa ideia

Inspirado nas ações promovidas pelos (1) coletivos urbanos (conceito utilizado para designar processos de grupos artísticos urbanos que tem o objetivo sensibilizar e gerar impactos sensoriais nos habitantes de uma metrópole), (2) nas ações provocadas pela Bicicletada (movimento de resistência em que os cicloativistas inspirados na Massa Crítica francesa manifestam-se em prol da maior generosidade no trânsito e que defende melhores condições de mobilidade nas vias urbanas e o seu compartilhamento com as bicicletas) e, (3) na pouca ou quase nenhuma ação estimulada pela prefeitura para melhorar a educação e a relação dos condutores no trânsito, já que esse assunto parece ter pouca prioridade na agenda política, pensei junto com a amiga economista Carolina Tomo em uma ideia.

Antes de falar sobre a ideia em si, porém, vale dizer que mesmo sendo muito amigos, Carolina e eu pensamos de forma distinta quanto ao meio que preferimos utilizar e que adotamos, de fato, para nos locomover pelas vias de São Paulo. Enquanto promovo a cultura da bicicleta, percorrendo 25Km diariamente, Carolina segue preferindo circular quilômetros munida do seu automóvel, por sentir-se mais segura e confortável, além de achar que ganha agilidade, mesmo sabendo contribuir com o aumento da poluição, do efeito estufa e do tráfego na cidade, entre outros prejuízos. Nem por isso somos inimigos, pelo contrário, saibam vocês que foi essa diferença que inspirou tal ideia.

Share the road, de Mike Joos

Sem mais de suspense, ela foi sensibilizada com os desdobramentos do recente acidente que acometeu a vida da ciclista e bióloga Juliana Dias, no dia 02 de março, e não sabendo como apoiar a Bicicletada, da qual costumo fazer parte sempre que me resta um tempo, Carolina me perguntou se teríamos como desenvolver um adesivo para que pudesse colar no seu carro informando a seguinte frase: "Sou motorista e respeito o cilista", ao lado de alguma arte (como a de cima) que ainda estamos buscando. Achei o máximo!


Próximos passos

Disse a Carol que uma ação como essa poderia não só gerar alívio a ela, mas também para milhares de outros motoristas que respeitam e dividem as vias públicas com ciclistas. Poderíamos gerar um impacto muito grande, maior mesmo do que as ações da prefeitura, que se mantêm omissa aos fatos, ou outro qualquer. Assim decidimos correr aos preparativos.

Por hora busquei várias informações sobre crowdfunding, como podem ver, e acabei de criar uma conta no Vakinha, aguardando para obter as demais informações para cadastrar a ideia. Já solicitei orçamentos para elaboração de uma primeira leva de 10.000 adesivos, que tanto poderiam ser distribuídos durante as ações de pacificação da bicicletada, ou entregue aos ciclistas para que distribuam aos carros, quando pararem nos semáforos, durante os seus próprios trajetos diários.

Ainda preciso buscar por uma arte para colocar no adesivo, tarefa que solicitarei a alguns conhecidos para que me ajudem, e também definir como nossos patrocinadores serão recompensados (ganhando 5 adesivos em primeira mão, cada um, por exemplo). Espero que na próxima semana eu já tenha o link de acesso para crédito para disponibilizar no ar. Sigo nos preparativos e esperançoso para sentir se esse crowdfunding dará mesmo certo, hoje para um objetivo cultural e educacional, é verdade, mas amanhã para algum outro negócio qualquer, preferivelmente para obter lucro em uma nova empreitada, por que não?

Abs

4 de mar. de 2012

Em busca de um fio para cortar

Que a tecnologia caminha junto à evolução humana, isso não há muito como negar. Basta pensar na transição do período Pré-Histórico – entre a era Paleolítica, a chamada Idade da Pedra Lascada, de 2,5 milhões a.C. a cerca de 10.000 a.C, e a Neolítica, Idade da Pedra Polida, de 10.000 a.C. a 3.000 a.C. – para perceber que nesse período o domínio do fogo e de técnicas de metalurgia permitiram ao homem criar objetos de metais, tais como lanças, ferramentas e machados, levando-o a caçar melhor e produzir coisas com mais qualidade e rapidez. 

Mas a tecnologia leva também ao progresso da sociedade? Para pensar em progresso associado à tecnologia é preciso tomar mais cuidado para se afirmar que sim, ou que não, é algo diferente, dado que o progresso está atrelado ao conceito de desenvolvimento, e este por sua vez está ligado a fatores como qualidade de vida, bem-estar social e não apenas ao crescimento, ao ganho de velocidade e à minimização dos esforços e recursos aplicados em uma dada tarefa. 
 
Autoria desconhecida
Levando em conta que o conceito de tecnologia está diretamente atrelada à aplicação de conhecimentos e métodos científicos à produção em geral, desde uma simples colher de madeira, até uma moderna estação espacial, aparentemente a tecnologia não deveria estar de modo algum desassociada da condição de progresso humano, uma vez que contribui de forma clara com o aperfeiçoamento dos métodos e técnicas utilizados na sociedade, permitindo ganho de agilidade, redução de custos e maximização da produtividade.

Ao longo do século XVIII, justamente no período decorrente da Revolução Industrial Inglesa (1776), a sociedade da época se percebeu ante um novo paradigma marcado pela invasão tecnológica. Decorrente de inovações do período, tais como a máquina a vapor e o tear mecânico, trabalhadores braçais se viram cercados por técnicas que aumentavam extraordinariamente a produtividade marginal do trabalho humano. Dessa maneira eles foram destituídos dos seus meios de produção, perderam seus postos de trabalho e passaram a enfrentar uma grande onda de contradição social e que se estende até os dias de hoje.

Ao indagar, porém, os avanços tecnológicos surgidos no século XXI após a popularização da internet, principalmente dos modernos aparelhos celulares (smartphones) que facilitam a interação em redes sociais e dos quais uma grande parte da sociedade vem se apoderando, na suas maiorias jovens das mais diversas camadas sociais, a pergunta sobre os seus reflexos para o progresso da sociedade deve ser refeita.

Não há dúvidas de que essa tecnologia tem facilitado a troca de informações entre as pessoas em um ambiente dinâmico como o dos grandes centros urbanos, onde elas têm tido cada vez mais dificuldade de se encontrar e locomover, permitindo que permaneçam em contato, nem que isso tenha que ocorrer através do ambiente virtual. Apesar do ganho de velocidade, da facilidade em se comunicar com amigos distantes, e até mesmo dos benefícios colhidos em algumas regiões do mundo, como no Haiti, onde o programa de transferência de dinheiro via celular tem ajudado na reconstrução do país (vide recente matéria do PNUD), outros aspectos, como o aumento da impessoalidade, a perda da qualidade das relações e deturpação dos valores humanos também precisam ser considerados.

Ao passo que uma pessoa lhe convida para participar do seu aniversário, ou outro evento qualquer, única e exclusivamente pelo facebook, o prazer de uma boa conversa cede espaço a impessoalidade virtual, e ao distanciamento humano, para o qual o convidado torna-se apenas mais um número, uma cabeça de gado qualquer entre vários outras, desprovida de sentimentos e emoções, servindo apenas para somar no seu rebanho.

A qualidade das relações humanas nas redes sociais, nesses casos, começa a ser suprimida. Os agentes envolvidos não trocam mais experiências satisfazendo-se pela troca de ideias superficiais e pouco exploratórias. O indivíduo deixa de se interessar pelo outro e passa a se concentrar no seu próprio eixo, adotando valores individualistas e já corrompidos que corroem ainda mais o interesse pelo coletivo, ou seja, pela sua própria rede social. Seu Iphone começa a ser sua principal fonte de preocupação.

Todo cuidado é pouco. É preciso indar para não se deixar levar. As tecnologias remotas propiciam facilidades das mais diversas possíveis, não há dúvidas. Não há como se esquecer, contudo, dos prejuízos que ela pode trazer para a qualidade nas relações humanas. A quantidade de informação e contra-informação tem deixado as pessoas cansadas, quando não adoecidas. Se a participação nas redes sociais tecnológicas traz tantos benefícios, tão importante também é desconectar, buscando sempre um fio a cortar, se é que isso de fato pode rolar!
Abs

29 de mai. de 2011

Novos rumos para a política pública de APLs no Brasil

Realizado em Ouro Preto-MG entre os dias 16 e 20 de maio pelo Sebrae (Sistema Brasileiro de apoio às Micro e Pequenas Empresas) em parceria com o TCI (The Competitiveness Institute), comunidade mundial com mais de 2.500 profissionais, o 6º. CLAC (Congresso Latinoamericano de Clusters) foi marcado por tendências e perspectivas para a competitividade dos pólos empresariais conhecidos no Brasil pelo termo Arranjos Produtivos Locais (APLs).


Entre os mais destacados painéis estavam o de Christian Ketels, da Harvard Business School (EUA), Madeleine Smith, do Instituto Ekos (Reino Unido - Escócia) e Elisabeth Waelbroeck Rocha, da BIPE (Bureau d'Information et de Prévisions Economiques - França). Vinte anos após Michael Porter ter escrito "A Vantagem Competitiva das Nações" (1990), principal referência sobre o assunto na atualidade, o novo espaço de debates abrigou ideias acerca das iniciativas futuras para atuação em clusters. Estas iniciativas passam a transitar na busca por uma segunda geração de políticas públicas, na qual se imagina haver a articulação efetiva e a clara definição de papeis e responsabilidades entre os atores locais envolvidos, entre os quais, empresas, governos, agências de fomento, instituições financeiras e universidades.

Os objetivos do 6º. CLAC, segundo Lina Volpine, do SEBRAE-MG (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais) foram disseminar os principais conceitos, situar o Brasil e suas iniciativas no contexto dos clusters, além das iniciativas de clusters no contexto mundial, identificar caminhos para que a América Latina avance nos temas inovação e competitividade, identificar os desafios para o desenvolvimento sustentável da America Latina, divulgar a rede TCI Network e sua importância como instrumento de fomento e competitividade, e estimular e facilitar o relacionamento entre os participantes


Justificativa sobre a importância dos APL
Fazer políticas de desenvolvimento é um dos maiores desafios nos dias de hoje, quando a economia globalizada tem o desafio de transformar o empreendedor nato em um empresário, buscando fórmulas que permitam vencer, ao mesmo tempo, as desigualdades regionais e territoriais. Não é uma tarefa fácil buscar o desenvolvimento de municípios que produzam infraestrurura aos seus moradores. A modelagem construída para clustes, ou APLs, coerentes com a necessidade global de tornar as regiões competitivas, tanto promove a inclusão produtiva, como deixa um legado estrutural necessário à localidade.


Entidades públicas e privadas têm o papel de cooperar e fomentar os clusters, a fim de transformá-los na grande bola da vez para o processo de desenvolvimento sócio-econômico das localidades. Enquanto as empresas dedicam-se ao planejamento e execução das ações do pólo, cabe às entidades públicas e privadas fomentar tal iniciativa criando um ambiente favorável aos negócios, colaborando com apoio técnico e financeiro, além da infra-estrutura de apoio.


Segundo Sérgio Augusto Lourenço, da FIEMG/IEL (Federação das Indústrias de Minas Gerais/ Instituto Euvado Lodi), "o marco para identificar o bom desempenho de um cluster pode ser notado quando os atores locais trabalham em conjunto, seguindo à mesma direção". Lourenço admite que para haver competitividade, a governança local deve ter um entendimento comum para propor ao grupo aquilo do que há de melhor para o alcance do desenvolvimento da região.

No Brasil, as ações dirigidas ao desenvolvimento de clusters tiveram abordagem oficial como política pública em 2004, com a criação do GTP APLs (Grupo de Trabalho Permanente para APLs), coordenação pelo MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior). Segundo Heloísa Menezes, secretária de desenvolvimento da Produção do MDIC, existem atualmente 957 iniciativas de APLs espalhados por todo o país. Para o GTP, um APL é caracterizado a partir da concentração de um número significativo de empresas em um dado território, enfatizando-se as melhores práticas para induzir a ganhos técnicos, produtivos e de mercado, e onde a cooperação entre os agentes da governança se retroalimentam devido a proximidade local, buscando alcançar soluções a problemas comuns.




A tripla hélice
Segundo Madeleine Smith, do Instituto Ekos (Reino Unido - Escócia), as redes formadas na web tornam ainda menos necessária a condição de proximidade física entre as empresas para que façam parte de um mesmo APL. Segundo Smith, para que se pense em políticas inovadoras, é necessário criar um espaço para discussão no campo das ideias. "Inovar é ter idéias frescas, mas que precisam necessariamente ser novas, e exercidas constantemente pelo modelo mental da tripla hélice: revisão dos planos, abandono dos vícios e reinvenção das estratégias".

O cluster é, para Smith, "uma combinação da competição e cooperação entre empresas, cuja fricção leva à inovação". Para que haja trabalho conjunto na busca de um objetivo, deve-se entender o verdadeiro motivo pelo qual são feitas políticas dirigidas a clusters e verificar aquilo que realmente se está disposto a abandonar para atingir um objetivo comum. Como é muito difícil atingir um profundo grau de colaboração entre os agentes locais, é necessário que sejam aperfeiçoados os indicadores de avaliação de desempenho existentes nos dias de hoje. Isto permitiria mostrar os benefícios tangíveis da colaboração, a fim de que exista interesse natural dos agentes pela participação nestas iniciativas (Colaboração = Benefícios/Tempo).


As novas tecnologias
Por ser uma poderosa ferramenta para o desenvolvimento econômico, torna-se necessário que exista a reavaliação das evidencias e desafios atuais dos clusters, focando o seu verdadeiro objetivo de agente de desenvolvimento econômico, mais inovador e com mais agregação de valor, e encorajando a colaboração profunda entre os atores em ação na busca por redes de interesse mútuas.

Segundo Elisabeth Waelbroeck Rocha, do BIPE (França), os clusters e demais agregados produtivos precisarão ser bastante eficientes para responder aos novos anseios populacionais, sobretudo em relação aos seus hábitos de consumo e a necessidade de reduzir custos sócio-ambientais. O futuro gera novas oportunidades para que surjam clusters produtores de tecnologias limpas, como biotecnologia, nanotecnologia, propulsão motora, equipamentos óticos, a laser e para logística reversa. Para isso, porém, será necessário haver disposição mútua entre os diversos atores, bem como incentivos fiscais do governo para promover e criar a cultura de uso destas novas tecnologias.



A importância da Política Industrial
Mas a existência dos clusters por si só não é suficiente para responder às necessidades futuras se não forem realmente bons naquilo a que se propuseram. Por isso os cluster não devem ser criados, mas apoiados sempre que houver profundo comprometimento das partes interessadas. Políticas de clusters também não substituem as políticas de desenvolvimento regional, ou de desenvolvimento industrial. Os clusters devem ser tratados como complementares, já que não dão respostas tão amplas como as políticas industriais. É necessário buscar suas interfaces e conexões. Brasil e a América Latina terão a oportunidade, no contexto da sugunda geração de políticas públicas, de adequar os seus negócios estabelecendo relações entre grandes e pequenas empresas, promovendo a inclusão produtiva e a redução da informalidade.


O papel do financiamento no âmbito dos clusters também deve estar integrada à política do Estado, estimulando o desenvolvimento de uma econômica mais inovadora e com mais geração de valor produtivo. Segundo Matheus Carvalho, do BDMG (Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais), "apesar da natureza do banco de desenvolvimento permitir estreitar a ação junto aos clusters, os bancos ainda não estão aparelhados para trabalhar em clusters". Carvalho explicou que a atuação é feita de empresa para empresa, separadamente, a partir da análise do crédito caso a caso.


Carvalho reforçou que um banco que tem como missão a integração com políticas regionais precisa estabelecer mecanismos e instrumentos com capacidade de inovação em clusters. "Um banco com esta natureza precisa aprimorar suas análises em direção a aspectos que transcendam apenas à análise do risco. Sem que haja, porém, uma ação estruturada de política pública com linhas de ação orientadas, a ação isolada do banco de desenvolvimento se torna frágil".


Atualmente o banco Bradesco é a única grande instituição privada de crédito a apoiar iniciativas de clusters. Segundo Octavio de Lazari Jr, diretor do banco, "a política de crédito privado a clusters só será eficaz quando os bancos encararem este setor com um segmento estratégico". Existem 338 APLs apoiados pelo Bradesco em 823 municípios no Brasil e em 57 diferentes setores da economia, totalizando 30.176 empresas atendidas e mais de R$ 1,3 bilhões empregados em 2010. Apesar do Bradesco ser o único banco privado do Brasil a apoiar as iniciativas de clusters, Lazari Jr. acredita que o processo deverá ter espaço para evoluir nos próximos anos.




Ambiente favorável à competitividade
Para serem bons e competitivos, os clusters precisam melhorar o seu aspecto organizacional, devendo haver uma articulação institucional para que a iniciativa possa ser uma alternativa que atenda às necessidades futuras da sociedade. O cluster não é apenas uma única indústria, mas um grupo variado de atividades que devem ser integradas para a geração de benefícios e formação de novos negócios. As empresas destes pólos precisam ser mais capazes de crescer e permanecer fortes em momentos de intempéries econômicas ou com a presença de novos entrantes nos seus mercados de atuação.

De acordo com Christian Ketels, do Instituto de Estratégia e Competitividade da Harvard Business School (EUA), o Brasil possui diferentes níveis de desenvolvimento em cada região e setor, cuja conseqüência é seu menor grau de competitividade no mercado global. “Se o país se integrar de forma mais rápida à economia global, a globalização poderá lhe trazer benefícios setoriais que favorecerão o ambiente competitivo aos clusters nacionais. Dificilmente há clusters fortes se não existe competitividade para o setor”.

No que diz respeito às empresas, questionou Ketels, como conectar um cluster local com a rede mundial, se os clusters locais são únicos e não podem ser copiados em outros lugares, respondendo às particularidades da região? Segundo ele, esta conexão pode ser feita por meio do compartilhamento das melhores práticas desenvolvidas mundialmente nos clusters dos setores estudados. É necessário criar, portanto, plataformas para trabalhos integrados, com objetivos de políticas públicas definidas para clusters, cujo ambiente favoreça a dependência mútua, a coordenação entre os agentes e o compartilhamento de informações. “Organizar a implementação de clusters gera mais impacto do que o oferecer uma ação individual para cada empresa”.

Ele alertou, ainda, que para o bom desenvolvimento das iniciativas de clusters, os agentes públicos deverão eleger os clusters a serem trabalhados, não sendo possível realizar ações junto aos clusters que não atenderem aos objetivos definidos. "Deve-se dar preferência somente àqueles clusters que efetivamente demonstrarem interesse em trabalhar para o alcance da proposta, não estimulando, desta maneira, a criação de clusters de forma desordenada, mas focando o empenho aos clusters existentes e fortes".


Entre os benefícios das políticas de clusters estão o mérito em transferir conhecimento difuso a todo o país, além dos ganhos em capacitação, ofertas duradoras de trabalhos qualificados e legado da infraestrutura em geral para a região. Para Renato Caporali, da CNI, os APLs surgiram nos últimos 30 anos no Brasil sem a existência de políticas concretas dirigidas a esta iniciativa. Ele acredita que a nova política conduzida pelo MDIC será, neste sentido, "uma grande oportunidade de buscar de forma responsável a defesa da industrialização no país, podendo atingir parte significativa dos municípios no Brasil". Para que isso ocorra de fato é necessário compreender qual o papel de cada entidade neste processo. "Não é trivial o entendimento sobre a competitividade de um agrupamento produtivo, envolvendo, ao menos, economia, sociologia e ciência política".


Este é, portanto, um momento importante para o avanço destas políticas de estímulo às cadeias produtivas, coexistido e reforçando a competitividade das empresas e interesses dos agentes envolvidos de forma mutua. Embora seja uma poderosa ferramenta para gerar inclusão produtiva, a política de APLs não funcionará sozinha, e muito menos sem o verdadeiro interesse das suas partes em gerar competitividade à região. Ações estruturantes para a melhora do ambiente competitivo, como financiamentos, educação e infraestrutura, ainda precisam ser aprimoradas. Mas o primeiro passo já foi dado, o reconhecimento sobre a importância de revisão dos antigos planos. Para que a mudança aconteça de fato cabe, agora, segundo a receita de Madelaine Smith, que aos agentes envolvidos abandonem os vícios e reinventem as estratégias. As palavras já disseram, agora é necessário agir e aguardar para ver se a receita funciona.

17 de mai. de 2011

Abertura do 6º. CLAC (Congresso Latinoamericano de Clusters)

A abertura do CLAC (Congresso Latinoamericano de Clusters), realizada em Ouro Preto (MG), prometeu apresentar experiências e boas práticas mundiais sobre o tema conhecido no Brasil como Arranjos Produtivos Locais (APLs). A sexta edição do evento, que ocorre de 16 a 20 de maio, busca disseminar experiências sobre trabalhos coletivos de sucesso realizados entre pequenas empresas, cuja vantagem competitiva decorre dos aspectos cooperação e associativismo.

Os objetivos do 6º. CLAC, segundo Lina Volpine, do SEBRAE-MG (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais) são: disseminar os principais conceitos, situar o Brasil e suas iniciativas no contexto dos clusters, além das iniciativas de clusters no contexto mundial, identificar caminhos para que a América Latina avance nos temas inovação e competitividade, identificar os desafios para o desenvolvimento sustentável da America Latina, divulgar a rede TCI Network (The Competitiveness Institute) e sua importância como instrumento de fomento e competitividade, e estimular e facilitar o relacionamento entre os participantes.

Segundo Sérgio Augusto Lourenço, da FIEMG/IEL (Federação das Indústrias de Minas Gerais/ Instituto Euvado Lodi), o marco para identificar o bom desempenho de um cluster pode ser notado quando os atores locais trabalham em conjunto, seguindo ao mesmo rumo. Lourenço admite que para haver competitividade, a governança local deve ter um entendimento comum para propor ao grupo aquilo do que há de melhor para o alcance do desenvolvimento da região.

Implementar projetos exitosos para agrupamentos setoriais de empresas é uma tarefa delicada. Enquanto as empresas dedicam-se ao planejamento e execução das ações do pólo, cabe às entidades públicas e privadas fomentar tal iniciativa criando um ambiente favorável aos negócios, colaborando com apoio técnico e financeiro, além da infra-estrutura de apoio. Para o Secretário do Desenvolvimento de Minas Gerais, Marco Antônio Rodrigues da Cunha, fazer políticas de desenvolvimento é um dos maiores desafios nos dias de hoje, quando cabe à economia globalizada transformar o empreendedor nato em um empresário.

Como é estranho pensar cooperação e associativismo em tempos de globalização, quando a lógica perversa do capital conduz à individualidade, Cunha sugere a busca de fórmulas que permitam vencer desigualdades regionais e territoriais. Para ele, a melhor modelagem construída até agora foram os clusters, ou APLs, coerentes com a necessidade de torná-los globalmente competitivos para estimular ao alcance da maturidade e autonomia da região. Existe atualmente 37 clusters em operação em Minas Gerais, além de uma outra centenas a ser potencializada, o que torna o momento propício para transformar os APLs na grande diretriz para o desenvolvimento dos municípios e regiões.

5 de mai. de 2011

O marketing - Parte 8: as ferramentas da web e o plano de mídia

As ferramentas de comunicação on line disponibilizadas via web, como MSN, Skype, Google Talk são uma boa opção para atendimento ao cliente, pois possibilitam comunicação instantânea e gratuita. Ela representa ao cliente a opção de um canal de atendimento avançado, que lhe permite entrar em contato com a empresa estando no seu ambiente virtual. Já à empresa há redução do custo mensal de telefonia, além da agilidade e eficiência da comunicação.

Já as redes sociais na web são sites onde as pessoas cadastram e registram seus dados pessoais com o objetivo de relacionar-se com outras pessoas, publicando fotos, desenvolvendo conteúdo, enviando mensagens e criando listas de amigos. São, de modo geral, sites construídos para possibilitar a interação social e o compartilhamento de informações em diversos formatos.

As redes sociais são caracterizadas pelo relacionamento continuo entre os integrantes e as comunidades, o que garante uma forte capacidade de propagação da informação. A presença da empresa nesses ambientes é uma forma de estreitar relações com o consumidor, por meio de informações sobre ofertas, promoções e lançamentos.

As principais redes sociais encontradas na web são: Facebook,Twitter, LinkedIn, blogs e o YouTube. Elas possuem grande visibilidade, pois os seus integrantes criam conteúdos de forma ativa, especialmente sobre experiências de consumo.

São mensagens de recomendações e retaliações que influenciam os hábitos de consumo dos seguidores. Antes de adquirir produtos e serviços, os e-consumidores buscam experiências de outros consumidores nas redes sociais.

Por isso cabe a empresa estar presente nas redes sociais gerando informações que possibilitem uma impressão positiva da sua imagem, marca e mercadorias, além do monitoramento de possíveis veiculações de experiências negativas de consumo.


Links patrocinados

O Google AdWords é uma ferramenta de publicidade que possibilita ao usuário criar e gerenciar suas campanhas. Os anúncios publicitários desta ferramenta são denominados de links patrocinados, que são visualizados junto aos resultados da busca orgânica realizada no Google.

O anunciante paga apenas quando um usuário clica no anúncio após buscar as palavras-chave elegidas. O custo por clique (CPC) é determinado por meio de um leilão constante. A empresa define quanto quer pagar por cada clique, e quem oferecer mais pelo clique aparece em melhor posição. Assim se justifica a variação dos custos entre as palavras.


Compras coletivas

O conceito de compra coletiva surgiu nos Estados Unidos, em 2008, e chegou ao Brasil no início de 2010. Tais sites oferecem descontos em produtos e serviços que só serão válidos depois de atingirem um número mínimo de interessados.

Neste modelo de negócio o objetivo é ganhar escala e vender o mesmo artigo ao maior número possível de pessoas num espaço curto de tempo e oferecendo o menor preço possível. Como intermediários na venda, os sites levam uma comissão de 30% a 50% da conta a ser paga pelo cliente.

O mercado de compras coletivas avança no Brasil em velocidade superior à qualquer outro negócio na internet. Estima-se que haviam 4 milhões de brasileiros cadastrados nos sites de compras coletivas em 2010 e a previsão para o final de 2011 é de 20 milhões. Atualmente o mercado é dominado pelas marcas ClickOn, Peixe Urbano, GrupOn e Imperdível, com 80% da fatia de mercado.

Segundo o relatório WebShoppers, elaborado pela consultoria E-bit em março de 2010, 61% dos mais de 1 milhão de consumidores virtuais entrevistados disseram conhecer o conceito de compras coletivas. Destes, 49% afirmam já ter comprado alguma oferta até hoje. Entre os consumidores que tiveram experiências com compras coletivas, 82% pretendem voltar a consumir por esse canal nos próximos três meses. O grau de satisfação também foi medido pelo estudo, sendo que 74% dos entrevistados afirmaram estar no mínimo satisfeitos, 11% disseram estar insatisfeitos com os sites de compras coletivas.


Plano de mídia

Conhecendo os canais para veiculação das mensagens sobre os diferenciais competitivos da empresa e suas mercadorias ao público-alvo, resta ao empreendimento elaborar o seu plano de mídia. Este plano consiste no planejamento orçamentário dos investimentos necessários a realização de ações de promoção e comercialização, baseadas no tipo de mensagem a ser entregue. 

Um plano de mídia deve ser construído por cada empresa, a fim de organizar o uso de todas as ferramentas disponíveis, sendo a maior parte delas de baixo custo e até mesmo gratuitas, como no caso das redes sociais na web. As empresas que souberem aproveitar estas oportunidades sairão na frente consolidando-se como referenciais na sua região de atuação. O marketing realmente é interessante, atual e surpreendente. Fico feliz em ter estudado a seu respeito podendo dividir um pouco deste grande conhecimento aqui no Ideia Econômica.

Um abraço.

Rodrigo

4 de mai. de 2011

O marketing - Parte 7: as ferramentas para entrega do valor ao cliente (loja virtual, mídia indoor e e-mail marketing)

Loja virtual
Para o consumidor, um site deve ser simples e rápido de navegar, trazendo informações completas a respeito da empresa e dos produtos e serviços por ela oferecidos.A empresa deve considerar os seguintes requisitos para a apresentação do site: ser visualmente/graficamente atraente; disponibilizar informação correta e atualizada; dispor de linhas de chat para incentivar os comentários do consumidor; apresentar um contato gratuito (msn, skype, 0800); realizar transações on-line; investir em promoção on-line para atrair a atenção do público-alvo; oferecer campos de preenchimento de dados dos usuários para identificar o perfil e o hábito de compra do cliente eletrônico e atualizar a bases de dados da empresa.

Em 2010, consumidores movimentaram cerca de R$ 15 bilhões pela web, uma alta de 40% sobre 2009, segundo a consultoria e-Bit. Os Correios, que atendem principalmente as MPEs de e-commerce, aumentaram de 153 para 205 o número de cidades atendidas pelo E-Sedex (serviço de entrega para o comércio eletrônico) nesse mesmo ano. Mas todo cuidado é pouco. Segundo o Procon-SP, queixas sobre entregas fora do prazo mais do que dobraram no segundo semestre de 2010 sobre o mesmo período de 2009, de 2.074 para 5.312.


Mídia indoor

É todo e qualquer tipo de propaganda ou divulgação feita dentro de um estabelecimento, especialmente em locais de espera forçada como: filas, recepções, elevadores, ônibus. Atualmente a mídia indoor se estende ao termo chamado ativação indoor, que engloba toda e qualquer ação que coloca a marca em contato direto com o consumidor.

As Digital Out of Home (OOH) são telas de LCD instaladas em locais de visibilidade estratégica em meio a grandes fluxos populacionais, que exibem informação e/ou entretenimento relevante para o consumidor. As OOHs são instaladas em edifícios comerciais, universidades, bares e restaurantes, hotéis, shoppings, supermercados, postos de gasolinas. Segundo a consultoria Nielsen, as OOHs atingem mensalmente mais americanos (70%) do que vídeos pela internet (43%) ou pelo Facebook (41%).


Mala direta e E-mail marketing

Mala direta é uma estratégia de divulgação de produtos e serviços, ou para fins informativos, baseada no envio de correspondências para o público-alvo. Já o e-mail marketing é um desdobramento da modalidade de mala direta a partir do uso da internet. Por ser mais cara, a mala é utilizada, hoje em dia, para o envio de brindes, ou outros diferenciais que atraiam o cliente.

Para fazer uso do e-mail marketing a empresa precisa ter organizado os dados e informações de contato dos seus clientes para, posteriormente, informá-lo sobre a mensagem a ser transmitida, podendo ser na propagação das promoções de serviços e produtos, ou sobre novidades que despertarão o interesse dos consumidores pela mensagem.

3 de mai. de 2011

O marketing - Parte 6: mídias de massa e mídias dirigidas

A forma de entregar a mensagem ao mercado e ao público-alvo está relacionada aos meios de comunicação pelos quais o cliente pode receber informação. Esses meios podem ser classificados em 1) mídias de massa, destinadas a promover informações sobre a mensagem global da empresa e a mensagem geral das mercadorias e; 2) mídias dirigidas, que buscam direcionar ao público-alvo definido as mensagens específicas sobre os diferenciais competitivos dos produtos e serviços oferecidos.

Mídia de massa ou grande mídia é uma expressão usada para designar os veículos mais populares de um determinado sistema de comunicação social. Devido à grande circulação e audiência, o custo cobrado pelas emissoras para a veiculação promocional de produtos e serviços costuma ser alto nestes canais. Por conta do alto investimento e disseminação a públicos diversos que não o público-alvo da empresa, as mídias de massa não são recomendadas para ação de marketing das micro e pequenas empresas cabendo a elas se organizadas como agrupamentos organizados de empresas, como associações, cooperativas, ou clusters.

O foco das ações de marketing das micro e pequenas empresas são feitas por meio dos canais de comunicação dirigidos. Comunicação dirigida é o termo usado para designar os canais de contato entre a empresa e o público-alvo diretamente impactado pelo conteúdo das mensagens veiculadas. Para ser considerado dirigido, o canal deve permitir a mensuração e o grau de desempenho da campanha, ou seja, a sua performance. A maior importância da comunicação dirigida é estabelecer e manter relações junto a clientes e públicos-alvo sendo capaz de produzir os efeitos pretendidos pela empresa.

Com o advento da internet e mídias sociais na web, muitos são os canais de comunicação dirigida existentes para o contato da empresa com o público-alvo, sendo a maioria deles de baixo custo e alto benefício. Um relatório divulgado pela consultoria Social Media Examiner aponta que as pequenas empresas são as que têm obtido os melhores resultados com ações de marketing nas redes sociais. O estudo, que está em sua terceira edição anual, consultou 3.342 pessoas - 47% dos quais profissionais liberais ou donos de pequenos negócios.

De acordo com o responsável pela pesquisa, Michael Stelzner, em 2011, as redes sociais viraram uma ferramenta primordial para ações de marketing, enquanto que, em 2009, eram consideradas uma estratégia ainda pouco clara para as organizações. Para balizar sua informação, Stelzner relata que 99% das pessoas consultadas pela pesquisa concordam que as redes sociais são importantes para os negócios.

Entre os empresários de MPEs, pelo menos 59% conseguiram firmar novas parcerias graças às ações nas redes sociais. Além disso, entre estas empresas, o volume de pessoas que conseguiram descobrir potenciais clientes qualificados nesses novos ambientes é o dobro dos demais consultados pela pesquisa.

Quanto às redes mais utilizadas para ações de marketing - como divulgação de informações, campanhas e eventos -, o Facebook aparece como o principal ambiente, usado por 92% dos entrevistados. Em seguida vêm o Twitter e o LinkedIn, com 84% e 71% das respostas, respectivamente. Os blogs e o YouTube e outros canais de vídeo aparecem em quarto e quinto lugares, com 68% e 56% das respostas. Entre os pequenos negócios, um dos destaques é o LinkedIn, utilizado por 80% dos profissionais liberais e por 78% das pequenas empresas.

2 de mai. de 2011

O marketing - Parte 5: segmentação do público-alvo e comunicação das mensagens

Após criar valor a mercadoria, conforme abordagem feita nas postagens anteriores acerca dos fatores críticos de sucesso do negócio, a empresa deve agora comunicá-lo a seus clientes com a finalidade de que os seus produtos e serviços sejam consumidos. Para que isso ocorra, ela deverá definir o seu plano de comunicação, ou seja, quem é seu público-alvo, qual a mensagem que será comunicada a ele, e como ela será entregue.

Segmentar significa agrupar os indivíduos com potencial de consumo em perfis, ou grupos similares de comportamento de compra. Como o mercado é heterogêneo, a sua segmentação é uma decisão estratégica do plano de comunicação. O mercado, afinal, não está naturalmente dividido: ele é segmentado para cada negócio atendendo à capacidade de ação da empresa diante dele.

Existem diversas modalidades de segmentação do mercado, como demográfica, geográfica, sócio-econômica, etc. Para segmentar o mercado a empresa deverá identificar os nichos com maior potencial de consumo dos produtos ou serviços em questão.

Mas enquanto o caráter heterogêneo do mercado desafia a empresa a oferecer “mercadorias sob medida” junto a novas oportunidades de negócio, a globalização exige dela a massificação (escalabilidade), ou seja, a padronização e a produtividade da sua oferta, com menos diversificação e aumento da margem de lucro da empresa.

Por isso cabe ao empresário selecionar e priorizar os produtos e serviços oferecidos: não dá apara abranger tudo e nada é para todos. Se for novo no mercado, a recomendação é optar por atender poucos públicos-alvo e concentrar neles a sua gestão.

Para definir o público-alvo, ou seja, o segmento específico do mercado que uma organização escolhe atender, o mercado potencial deve ser segmentado em grupos similares de indivíduos conforme o perfil, hábitos e comportamentos de compra.


Definição das mensagens

Determinado o público-alvo, a empresa deverá definir quais as mensagens serão transmitidas a ele. Mensagem é o objeto da comunicação propriamente dita, ou seja, um pensamento ou ideia preparada para ser transmitida em qualquer meio de comunicação usando a linguagem do público-alvo ao qual será dirigida.

Por meio da mensagem a empresa pode comunicar seus valores éticos, missão e identidade, conteúdo informativo-educativo sobre o seu mercado de atuação, o posicionamento competitivo por ela adotado para fidelizar e vincular o cliente à marca e as mensagens específicas competitivas sobre os produtos e serviços, como preço, qualidade e canais de atendimento.

A mensagem deve ser desenvolvida em função dos diferentes públicos e do conteúdo que se pretende transmitir. Todos os tipos de mensagens, globais, gerais ou específicas devem submeter-se à mesma linha estratégica de comunicação, enquanto o meio para transmiti-la (TV, rádio, revistas, e-mail, etc.) está relacionado com o seu estilo de vida e com a sua mobilidade.

Segundo Renato Fonseca escreveu no livro Conexões Empreendedoras, existem três estágios distintos na comunicação e interação entre os agentes: (1) o contato, registro do primeiro relacionamento, porém com vínculo frágil; (2) a interação, fase em que há qualidade e aprofundamento dos vínculos de troca e; (3) a confiança, momento em que há acesso a informações e oportunidades diversas e quando a oferta começa a encontrar a demanda e vice-versa.

Em seguida serão abordados os principais meios de entrega das mensagens ao público-alvo,
configurando-se na última parte deste trabalho.